sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
De verdade me peguei naquele pensamento: De que adianta?
E percebi que eu não teria a mesma paz
Se eu não for escrevendo
O que eu não fui quando criança.
O fugir de si é o sublime das palavras,
Como uma chuva fria no chão de terra.
Se eu não for escrevendo
O que eu não fui quando jovem
Me enterra.
Porque estar em outro mundo é que cria histórias
E eu pensei que não seria benemerente contá-las
Se eu não for escrevendo
O que não fui quando idosa
Melhor deixá-las.
O gosto de preencher uma imaginação
Uma vida,
Um sorriso,
Uma dor.
Se escrevendo eu não tiver amor
Morri.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Sentimentos
Podemos dizer que o que sentimos foi emoção quando fica difícil explicar.
Quando a mão sua,
Quando o peito trava,
Quando o fôlego se esvai.
Porque se o amor fosse mensurável não seria amor,
Porque se a felicidade tivesse fim não riríamos diante dela.
O amor nos torna célebres idiotas,
A felicidade cria um mundo distante.
E as tantas outras? Que outras? Ah, deixa pra lá.
O amor nos leva à plenitude,
A felicidade nos preenche de um não-sei-o-quê que funciona.
E vivemos assim,
Como diz Vinícius “eu dela e ela de mim.”
Sorrindo por um, amando por outro
E fazendo tudo pelo mesmo UM, pelo mesmo ser,
Que nos faz sentir as mais diversas emoções
E jamais tentaria explicar aqui,
Mas sei, senti, vivi
E só lembro dessas duas.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Em determinado momento, o que tem sido o tempo?
E com que autoridade podemos dizer que tudo nos satisfaz?
Porque quando dizemos que achamos é que realmente procuramos
E quando deixamos de procurar é porque não existe mais.
De uma vez, talvez o possível me atraísse,
E em nenhuma vez possivelmente o atrairei mais,
Porque o viver é que nos atrai para si
E de que adianta correr se o amor é que nos deixa em paz?
Se por tudo nesse afã nos deixamos bater, tropeçar
Por nada adiantaria sair, fugir.
Se o amor já vivi e já passou em minha vida.
Você será o homem que me fará continuar, seguir.
Essa inconstância faz nada de nós dois,
A poesia já se enfeiou sem nem ajudar,
De tanto achar, buscar, correr e ruir
Ainda não encontrei um motivo, mas insisto em ficar.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Amor.
Seria homem de viver contente, me teria onde quisesse,
Seus pensamentos estariam em mim,
Suas vontades seriam leis executadas.
Se o homem que eu amo amasse-me...
Teria vontade de viver, agradecer por ser feliz
Iria saber o que é amor de verdade,
Ouviria poesias antes de dormir.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Eu vi no vidro o espectro de uma saudade,
Eu corri contra o vento pra te encontrar
Eu me perdi na rua, sem seu raio pra me guiar.
Eu sorri com músculos confusos,
Eu senti concomitante vontade de chorar
Eu joguei minha vida nesse ângulo obtuso,
Eu desde então, só penso em me retirar.
Eu busquei novamente a lembrança de uma face
Eu, no meio da rua, com carros a trafegar
Eu fiz expressão de aflição, de impasse
Eu coitada, só queria me achar.
Eu chorei na chuva depois de um raio de sol
Eu me deixei molhar a tua procura,
Eu gritei seu nome implorando por um farol
Eu só desejava acabar com essa amargura.
Você surgiu insuspeitado
Você me salvou de carros e pingos,
Você cochichou verbos do passado,
Você, eu e meus choramingos.
Você que tanta falta me fez,
Você que tanta esperança me deu
Você que me abraçou, beijou e se desfez
Você que tinha ido embora sem dizer adeus.
Você que de sol a tarde iluminou,
Você que na chuva minha face fez molhar,
Você que tinha morrido também correu,
Nós no meio da rua viemos a nos encontrar.
(Homenagem a um amor complicado... como prometido, para meu amigo David Muniz.)
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Amanhã talvez seguirei seus passos,
sonharei com abraços,
e afagarei minha doença.
Por hoje, só preciso saber do seu dia
amanhã talvez te encontre na esquina,
implorarei a Deus para ser essa minha sina
e deixarei esse tanto de ser fria.
Por obséquio me faz ouvir tua voz
amanhã talvez já nem exista
ouvirei com o preço de uma conquista
e desatarás da minha cabeça os nós.
Por ontem me deves o custo de uma saudade
amanhã o ar vai faltar,sumir.
Agonizarei por te ver,lamentarei por você ir
e...
Por fim arranque-me pelo braço de onde estiver
amanhã pode ser muito tarde
choro pelo enquanto, pelo hoje,pelo obséquio e pelo ontem, não guarde
e viveremos a vida que desejamos pelo que a mente nos trouxer.
sábado, 27 de junho de 2009
As noites violentas de quebradas bruscas retiram do nosso pensamento o marasmo, a sensação de tranqüilidade que sempre nos incutiram. “o mar é feio” é o único que me vem (e bem contraditório, diga-se).
Ora, se o mar é feio a vida também é. Não seria a vida apenas uma hipérbole dos movimentos sincronizados das gotas do oceano? Porque hora estamos leves e coloridos, hora um furor ressaca nosso cotidiano.
Também, quantos outros não pensaram que o misto de cores “molhadas” estão apenas criando uma distância entre nós? Entre tantas pessoas.
No fim tudo é mais simples. Se pararmos para fazer analogias teríamos um trabalho horizontal (como o feito aqui) e um vertical (sim, uma profundeza complexa) e bem sabemos: por mais que tudo venha e volte, às vezes nem volte mais, desapareça, a cor que prevalece na ponta é o branco, e por mais que nunca enxerguemos, para todos os lados tudo tem um fim raso onde podemos sorrir depois de molhar os pés, onde todo mundo pode (e vai) chegar.
(Em homenagem a Michael Jackson)