terça-feira, 6 de outubro de 2009

Sentimentos

Podemos dizer que o que sentimos foi emoção quando fica difícil explicar.

Quando a mão sua,

Quando o peito trava,

Quando o fôlego se esvai.

Porque se o amor fosse mensurável não seria amor,

Porque se a felicidade tivesse fim não riríamos diante dela.

O amor nos torna célebres idiotas,

A felicidade cria um mundo distante.

E as tantas outras? Que outras? Ah, deixa pra lá.

O amor nos leva à plenitude,

A felicidade nos preenche de um não-sei-o-quê que funciona.

E vivemos assim,

Como diz Vinícius “eu dela e ela de mim.”

Sorrindo por um, amando por outro

E fazendo tudo pelo mesmo UM, pelo mesmo ser,

Que nos faz sentir as mais diversas emoções

E jamais tentaria explicar aqui,

Mas sei, senti, vivi

E só lembro dessas duas.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Em determinado momento, o que tem sido o tempo?

E com que autoridade podemos dizer que tudo nos satisfaz?

Porque quando dizemos que achamos é que realmente procuramos

E quando deixamos de procurar é porque não existe mais.

De uma vez, talvez o possível me atraísse,

E em nenhuma vez possivelmente o atrairei mais,

Porque o viver é que nos atrai para si

E de que adianta correr se o amor é que nos deixa em paz?

Se por tudo nesse afã nos deixamos bater, tropeçar

Por nada adiantaria sair, fugir.

Se o amor já vivi e já passou em minha vida.

Você será o homem que me fará continuar, seguir.

Essa inconstância faz nada de nós dois,

A poesia já se enfeiou sem nem ajudar,

De tanto achar, buscar, correr e ruir

Ainda não encontrei um motivo, mas insisto em ficar.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Amor.

Se um homem me amasse de verdade...
Seria homem de viver contente, me teria onde quisesse,
Seus pensamentos estariam em mim,
Suas vontades seriam leis executadas.
Se o homem que eu amo amasse-me...
Teria vontade de viver, agradecer por ser feliz
Iria saber o que é amor de verdade,
Ouviria poesias antes de dormir.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Eu senti um raio de sol à tarde,
Eu vi no vidro o espectro de uma saudade,
Eu corri contra o vento pra te encontrar
Eu me perdi na rua, sem seu raio pra me guiar.
Eu sorri com músculos confusos,
Eu senti concomitante vontade de chorar
Eu joguei minha vida nesse ângulo obtuso,
Eu desde então, só penso em me retirar.
Eu busquei novamente a lembrança de uma face
Eu, no meio da rua, com carros a trafegar
Eu fiz expressão de aflição, de impasse
Eu coitada, só queria me achar.
Eu chorei na chuva depois de um raio de sol
Eu me deixei molhar a tua procura,
Eu gritei seu nome implorando por um farol
Eu só desejava acabar com essa amargura.
Você surgiu insuspeitado
Você me salvou de carros e pingos,
Você cochichou verbos do passado,
Você, eu e meus choramingos.
Você que tanta falta me fez,
Você que tanta esperança me deu
Você que me abraçou, beijou e se desfez
Você que tinha ido embora sem dizer adeus.
Você que de sol a tarde iluminou,
Você que na chuva minha face fez molhar,
Você que tinha morrido também correu,
Nós no meio da rua viemos a nos encontrar.


(Homenagem a um amor complicado... como prometido, para meu amigo David Muniz.)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Por enquanto só quero saber o que você pensa.
Amanhã talvez seguirei seus passos,
sonharei com abraços,

e afagarei minha doença.
Por hoje, só preciso saber do seu dia
amanhã talvez te encontre na esquina,
implorarei a Deus para ser essa minha sina
e deixarei esse tanto de ser fria.
Por obséquio me faz ouvir tua voz
amanhã talvez já nem exista
ouvirei com o preço de uma conquista
e desatarás da minha cabeça os nós.
Por ontem me deves o custo de uma saudade
amanhã o ar vai faltar,sumir.
Agonizarei por te ver,lamentarei por você ir
e...
Por fim arranque-me pelo braço de onde estiver
amanhã pode ser muito tarde
choro pelo enquanto, pelo hoje,pelo obséquio e pelo ontem, não guarde
e viveremos a vida que desejamos pelo que a mente nos trouxer.

sábado, 27 de junho de 2009

Por diversas vezes olhar o mar do alto tem sido uma tortura. O não saber onde acaba gera uma angústia na alma. Quantos de nós já paramos para perguntar como será do outro lado?
As noites violentas de quebradas bruscas retiram do nosso pensamento o marasmo, a sensação de tranqüilidade que sempre nos incutiram. “o mar é feio” é o único que me vem (e bem contraditório, diga-se).
Ora, se o mar é feio a vida também é. Não seria a vida apenas uma hipérbole dos movimentos sincronizados das gotas do oceano? Porque hora estamos leves e coloridos, hora um furor ressaca nosso cotidiano.
Também, quantos outros não pensaram que o misto de cores “molhadas” estão apenas criando uma distância entre nós? Entre tantas pessoas.
No fim tudo é mais simples. Se pararmos para fazer analogias teríamos um trabalho horizontal (como o feito aqui) e um vertical (sim, uma profundeza complexa) e bem sabemos: por mais que tudo venha e volte, às vezes nem volte mais, desapareça, a cor que prevalece na ponta é o branco, e por mais que nunca enxerguemos, para todos os lados tudo tem um fim raso onde podemos sorrir depois de molhar os pés, onde todo mundo pode (e vai) chegar.

(Em homenagem a Michael Jackson)

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Hino Trágico Pernambucano.

Ouviram do Recife um choro trágico,
De um mancebo que foi embora pra Sergipe
E o sol sem liberdade em raios tímidos
Pedia para o céu que não caísse
Professores, que desigualdade!
Que mal havia em ficar na terra forte?
Se no teu seio, só tem saudade
Melhor fora entregar o peito mesmo à morte.
E quem afaga,
Oh triste mágoa,
Alguém me salve!
Recife um sonho eterno, serás ídolo
De um povo que te abraça apertado
E mesmo vendo a coisa sempre ganhando
É o Náutico que brilha ao teu lado.
Mas se lanças os filhos teus à própria sorte
Verás como é ruim tua conduta,
Nem ouve o choro mórbido pra que conforte
Terra Adorada!
Entre outras vinte e sete
És tu Recife a capital amada
E os filhos que brotaram deste sonho viril
Escolham Recife como seu Brasil.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Quantas vezes me perdi no tempo e nesse meio tempo me encontrei?
Quantas vezes preciso me encontrar para perder muitas coisas que estão em mim sem mesmo desejá-las?
A maturidade,
O raciocínio,
O pragmatismo.
Dignas de uma vida adulta. Mas quem quer ser adulto?
Só as crianças!
Não imaginam elas que seres tão pequenos têm a capacidade de sentir e viver cada momento em sua plenitude.
O amor...
Algumas palavras não descrevem o que o amor significa,
Alguns erros sim.
Algumas pessoas não sabem o que é o amor,
Eu sei.
Talvez nem soubesse que sabia,
Mas sempre soube.
Não por arrogância minha, mas sei que não é um algo e sim um tudo onde o algo está presente.
Somente quem ama explica,
Não com palavras, com fatos.
As vontades nem são ditas, são executadas. Nem sempre...
Amor é controverso.
Paixão? Não sei. Sei do melhor, sei do certo.
Ora, quem diria que os poetas morreriam de amor?
Suicidar-se não é vencer a si, é derrotar-se por já ter sido derrotado.
O amor sufoca.
Comer já não é algo mais em favor do nosso corpo.
Amor é alimento.
Deus? Sem comentários. (Continua no seu lugar, o primeiro lugar. Afinal não é a Este que pedimos,rogamos, blasfemamos, desobedecemos...?)
Amar enlouquece.
Pedir? Mencionei pedir? Errei.
O amor confunde.
O impulso toma conta.
Amor é mandamento.
De que coisas tenho eu juízo? Amo a Quem? Loucamente? Não sei...
Sei que sou poeta e sabiamente, morrerei de amor algum dia.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Só.

Não houvesse essa chuva complacente...
Que mais seria eu agora?
Enclausurada na dor que deveras sente
M'alma entre doces desabores
Prova hoje, no recôndito de minha mente
Que o que vivi outrora
Foi o pontapé de minhas tristezas de amores.

Sem Compreensão

Como se amontoassem os papéis
E sem sentimentos sentisse as palavras
Com rachaduras por entre os pés,
Por causas tolas e imaculadas,
Trocando amor por anéis
Chegou triste, saiu amargurada.
Claro, seria ignóbil não constatar veracidade
Mas nada daria, nada deu certo.
E talvez esse poço fundo e sem idade
Achou por bem afundar esse projeto.
Quantos planos, quantas fantasias?
Em cima de utopias vãs, todas vãs
Que outro meio teria senão explodir?
Ora, sem rima, sem acerto, sem nexo
E para onde iria essa poesia,
Esse ápice, esse sexo?
Criar limites, não tê-los é vão
E saber sacudir-se ao acordar
E tolamente ao dormir
Sair da cama, vacilar
Tropeçar em si
E cair no chão.


terça-feira, 26 de maio de 2009

Uma fuga de mim

Incontestavelmente fugaz à figura que me afaga,
Sinto ainda pena do dano que causa a chaga
de ser só e fria,
iminente e gélida,
não tão linda e nem fada.
E soltando verbos no ar...
Não faria diferença
a constante verossimilhança em tua crença,
cita vida em pouco de mim
constrói castelos onde só eu resido e...
Fim.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Eu tenho sede de um amor,
alguém que me seja como a chuva na pele quente
e que sinta o fogo como uma brasa,
somente.
Alguém que buscou essa agonia
e que tão somente não a suporta mais
e que já se suporta mais
é incerto, é insano ter alegria.
Deveras fui alguém mais feliz
decerto sou quem? não se sabe.
Mas desejo encontrar apenas uma coisa
antes que o meu viver acabe.