sábado, 27 de junho de 2009

Por diversas vezes olhar o mar do alto tem sido uma tortura. O não saber onde acaba gera uma angústia na alma. Quantos de nós já paramos para perguntar como será do outro lado?
As noites violentas de quebradas bruscas retiram do nosso pensamento o marasmo, a sensação de tranqüilidade que sempre nos incutiram. “o mar é feio” é o único que me vem (e bem contraditório, diga-se).
Ora, se o mar é feio a vida também é. Não seria a vida apenas uma hipérbole dos movimentos sincronizados das gotas do oceano? Porque hora estamos leves e coloridos, hora um furor ressaca nosso cotidiano.
Também, quantos outros não pensaram que o misto de cores “molhadas” estão apenas criando uma distância entre nós? Entre tantas pessoas.
No fim tudo é mais simples. Se pararmos para fazer analogias teríamos um trabalho horizontal (como o feito aqui) e um vertical (sim, uma profundeza complexa) e bem sabemos: por mais que tudo venha e volte, às vezes nem volte mais, desapareça, a cor que prevalece na ponta é o branco, e por mais que nunca enxerguemos, para todos os lados tudo tem um fim raso onde podemos sorrir depois de molhar os pés, onde todo mundo pode (e vai) chegar.

(Em homenagem a Michael Jackson)

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